Dicas e Cuidados, FAQS

Suiseki

A palavra suiseki significa literalmente “pedra d’água” (sui – água, seki – pedra).

Na cultura tradicional japonesa, suiseki (水石) são pequenas pedras naturais apreciadas pela sua beleza e pelo poder de evocar uma paisagem ou um objeto natural.

Originária da China (onde era designada "Gongshi") e da Coreia (onde era designada "Suseok"), a arte do Suiseki foi introduzida no Japão pela corte imperial chinesa durante o período Asuka (538 710 d.C.). Tornou-se mais popular durante o período Kamakura (1185-1333 d.C.) quando ganhou aceitação por parte da classe dominante Samurai.

No Ocidente, foi introduzida aquando das primeiras exposições de bonsai. O suiseki está intimamente ligado à arte japonesa do bonsai, e diz-se que são os dois pilares da apreciação tradicional da vastidão e da essência da natureza na cultura japonesa. O suiseki e o bonsai são frequentemente exibidos juntos num tokonoma (床の間“área
ligeiramente elevada de encontro a uma parede numa sala destinada a receber convidados”).

Os estilos de suiseki são:
YAMAGATA-ishi (Igual à montanha),
TAKI-ishi (Detalhe que lembre uma cascata),
KEIRYU-seki (Com rio ou nascentes de água),
DAN-seki (Planície junto a uma colina),
SHIMAGATA-ishi (Pedras que lembram ilhas),
DAHA-seki (Imagem de uma suave colina),
ISOGATA-ishi (Tem que lembrar uma linha costeira),
MIZUTAMARI (Pedra com um buraco como um lago),
IWAGATA- ishi (Linha rochosa costeira alta)
DOKUTSU-ishi (Possui cavidades como cavernas)
YADORI-ishi (Pedras côncavas com refúgio)
DAMON-ishi (Sugerem um túnel ou um arco)
YAGATA-ishi (Em forma de uma casa ou cabana),
FUNAGATA-ishi (Pedras em forma de barco),
HOSHI-ishi (Pedras em forma de ponte),
TORIGATA-Ishi (Pedras em forma de pássaro),
MUSHIGATA-ishi (Pedras em forma de inseto),
UOGATA-ishi (Pedras em forma de peixe),
SUGATA-ishi (Pedras em forma humana).

As pedras são de origem natural e encontram-se em rios, oceanos e zonas cársicas (tipo de relevo das zonas calcárias, modeladas pela erosão devido à dissolução do
carbonato de cálcio pela água das chuvas carregadas de dióxido de carbono).

Não é permitido remodelá-las.

Uma exceção é o corte de pedras para que tenham uma base plana, para poderem ser colocadas de forma estável numa base de madeira (ダイザ, daiza), tabuleiro impermeável ou taça de cerâmica (suiban, 水盤 ) ou bronze (doban) , e serem exibidas corretamente. No entanto, isso diminui o seu valor aos olhos de alguns puristas.

Para adquirirem uma aparência antiga, as pedras devem ser cuidadas por um longo período. As pedras novas retiradas de um rio não terão uma cor calma,
independentemente de quão bonito seja seu design devendo ser colocadas numa prateleira no jardim, expostas ao sol e regadas ocasionalmente como os bonsai.

Os Suiseki podem ser também exibidos numa bandeja rasa preenchida com areia ou água, e/ou sobre um suporte ou mesa de madeira, como parte de uma configuração de tokonoma.

Apreciar um suiseki permite que a mente mergulhe na natureza.

Olhando para as pedras de paisagens, as pedras com formas e as pedras com padrões, a pessoa sente o universo e entra num mundo sereno e infinito que a leva a uma sensação misteriosa e subtil de wabi-sabi à medida que se envolve na poesia da natureza.

A imaginação poética do observador é estimulada ao olhar um pedaço de pedra natural como um assunto e fornecer uma variedade de sensações artísticas. O observador pode desfrutar sentindo a beleza de paisagens e rios, ou vários fenómenos no mundo natural, através do formato, padrão, cor e outras características da pedra.

Os fatores que ajudam esta visualização são os seguintes:

  •  Cores bem definidas – a cor branca num ponto alto de uma pedra pode dar a ideia da neve encontrada nas partes mais altas e frias da montanha. Um detalhe de coloração azul ou esverdeada pode transmitir a ideia de um grande rio que desce da montanha. Nas exposições, os expositores molham as pedras para acentuar as suas cores.
  •  Equilíbrio – o equilíbrio é um dos fatores essenciais na beleza de um suiseki. O colecionador deve olhar a pedra de todos os seus 6 ângulos: frente, trás, lado
    esquerdo, lado direito, visão de cima e visão de baixo. A visualização da pedra como um todo é fundamental na hora de escolher a sua frente. Tudo deve ser observado: simetria, verticalidade, fendas, curvas, suavidade, movimento, quietude, luminosidade e reflexos. A pedra tem que estar estável, não pode passar a ideia de desequilíbrio.
  •  Wabi-sabi, Shibui e Yuugen – o tradicional encanto do suiseki expressa-se melhor no conceito do budismo Zen. Wabi-sabi (侘寂?) é um ideal filosófico japonês, assim como uma abordagem estética centrada na aceitação da transitoriedade e da imperfeição dos objetos e dos seres humanos. Estes conceitos estão diretamente ligados à cerimónia do chá, à poesia Haiku (verso japonês de dezassete sílabas), à conceção na criação do jardim Zen. É a apreciação do despojamento, ao viver uma vida comum com a simplicidade, com a insuficiência ou com a imperfeição, e está relacionado com as doutrinas de desapego do Zen budismo. Estes conceitos estão representados na produção artística através do rústico, do imperfeito, do monocromático e do aspeto natural. Através do wabi e sabi, é possível o alcance do vazio da mente que traz tranquilidade. Wabi significa "quietude" e sabi entende-se como "simplicidade" e expressam-se através do afeto que os japoneses possuem por simplicidade e subtileza.
    Shibui é uma das estéticas tradicionais do Japão, expressando um profundo charme. Embora comummente utilizado para descrever sabores, como chá ou vinho, o termo é versátil e descreve não só o sabor, mas também as cores ou expressões. O termo shibui é comummente empregue na linguagem quotidiana para descrever a profundidade e a riqueza que se desenvolvem nas pessoas ou nas coisas ao longo do tempo.
    Yuugen (幽玄, Yūgen) refere-se a um importante conceito sobre a estética tradicional japonesa. O termo foi encontrado pela primeira vez em textos
    filosóficos chineses em que significa "escuro" ou "misterioso". Yūgen significa um profundo sentimento interno. Expressão de profundidade, do mistério não-traduzido, do incompreensível e do abstrato em todas as atividades artísticas,
    Yūgen é a expressão do inevitável, da impermanência. Segundo os japoneses, o Yūgen pode apenas ser intuído, apreciado pela mente e jamais verbalizado - estando além da consciência.

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