Portes grátis a partir de 50€ (para Portugal Continental) - utilize cupão PORTESGRATUITOS
Kakemonos
Quando visitamos um evento, uma oficina ou uma loja de bonsai, é habitual encontrar nas paredes, como decoração, pergaminhos japoneses chamados kakemono (掛け物
"suspenso") ou kakejiku (掛け軸 "rolos suspensos").
O Kakemono tem geralmente um formato vertical e é totalmente produzido de maneira artesanal, em papel de seda ou tecido, e emoldurado com papel brocado, preso num apoio cilíndrico que lhe permite ser enrolado para ser guardado. Alguns podem até ser feitos com fios de ouro ou pedras preciosas o que, naturalmente, faz variar consideravelmente o seu preço final.
Podem apresentar figuras (animais, flores, paisagens, personagens da cultura japonesa ou do folclore japonês) ou então uma caligrafia (um provérbio ou uma poesia). Independentemente do seu conteúdo e do seu valor, todos revelam uma expressão artística e, assim como o Ikebana ( 生け花, "vivificação floral", a arte japonesa de arranjos florais), são uma verdadeira expressão da arte e fazem parte da decoração ornamental de uma casa japonesa.
Cada autor marca sua obra com seu Hankô (署名スタンプ, inkan, “carimbo de assinatura”) que é a forma usada para assinar no Japão. Como qualquer obra de arte, devem ser cuidados e protegidos. O ambiente em que o Kakemono estiver exposto não deve ser muito húmido nem muito seco. Os japoneses não têm por hábito deixá-los na parede por muito tempo e regularmente guardam-nos numa caixa especial, o kiribako ( 桐箱 “caixa de madeira”), enrolados para manterem sempre a seda ou o tecido em bom estado .
Algumas famílias possuem kakemonos ou kakejikus antiquíssimos, herdados dos seus antepassados.
Quando exibidos numa Tokonoma (床の間“área ligeiramente elevada de encontro a uma parede numa sala destinada a receber convidados”) é comum estarem acompanhados de um ou mais tipos de arte tais como Shodo (arte da caligrafia japonesa), Bonsai, Suiseki (pedra de exibição) ou Ikebana.
Também podem ser exibidos num Chashitsu (茶室 "casa de chá"), para a tradicional cerimónia do chá ou num templo budista.
Numa exposição de bonsai, o Kakemono faz parte do conjunto exposto para dar ênfase a árvore em exibição.
Breve história do Kakemono / Kakejiku
O primeiro Kakejiku foi levado da China para o Japão por missionários budistas que realizavam pinturas em pergaminhos para espalhar a sua religião. Esta divulgação ocorreu durante o chamado Período Heian (794 – 1192).
Os dois grandes soberanos que representaram o Período Momoyama (1573 – 1600), Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi, gostavam de realizar a cerimónia do chá numa sala especial chamada “Tokonoma“. Essa sala era considerada o espaço que liga a arte e a vida cotidiana e era onde ficavam a maioria dos objetos de arte, incluindo os
pergaminhos. Ainda assim se mantém hoje nas casas tradicionais japonesas. Durante este período as técnicas de pintura e de montagem do Kakejiku também se foram desenvolvendo e diversificando.
O Período Edo (1603 – 1868), no Japão, foi pacífico e tal contribuiu para o aparecimento de muitos pintores. O Kakejiku começou a popularizar-se entre o povo e já não eram apenas os grandes senhores que os tinham nas suas casas. Por essa altura começaram a surgir competições entre os pintores de kakemono/kakejiku.
Com as competições, os pintores aprofundaram as suas técnicas e ganharam mais liberdade de expressão, aumentando a variedade de desenhos e manuscritos com
poemas e provérbios.
Entramos assim no chamado Período Meiji (1868 – 1912) ou Era do Progresso Japonês e, após a II Guerra Mundial, estas obras de arte popularizaram-se com carácter definitivo e tornaram-se peças obrigatórias nas residências japonesas por todo o país.
Os mais belos kakejiku foram feitos a partir dessa data e no Japão existem muitos colecionadores que possuem pergaminhos seculares e de inestimável valor.